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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Entre o desafio de correr e sonhar

Entre o desafio de correr e sonhar

Escolho a possibilidade de imaginar.

Uma conquista de mundos sem fim

Numa terra em que se vê algo ruim.

 

Sonhar é buscar uma saída,

É voar pelos céus da vida,

É conquistar guerras e batalhas

Mas sem nunca levantar espadas.

 

Numa demanda pelos sete mares e jardins

Numa busca por arlequins,

É vestir um fato e fazer teatro

É sentir o calor do astro.

 

Sonhar é idealizar

Um caminho que se quer namorar,

É ser desafiado a sorrir 

Quando um castelo queremos construir.

 

É ser princípe e conquistar o sol,

Viajar entre planetas e estrelas,

Mergulhar em campos de girassol

E escalar montanhas e valas.

 

Capitão de um grande navio

Ou lume que acende a vela no pavio,

Sonhar é procurar no imaginário

Aquilo que é construído num pequeno armário.

 

No meio da destruição

Há sempre um puro de coração

Que vê na flor mais branca

A marca de nova esperança.

 

Sonhar é imaginar,

Pensar e remar,

Procurar sem cessar

E viver apenas para amar.

 

 

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Vamos pensar sobre a dignidade?

Apenas a algumas horas de se discutir o assunto que está na ordem do dia, esqueçamos, por alguns instantes, o preço dos combustíveis, as manifestações dos camionistas, a falta de profissionais de saúde ou a possibilidade de Cristano Ronaldo sair do Real Madrid.

 

A algumas horas de no Parlamento se incendiarem com acusações sobre quem é que deve decidir quem é que pode pôr fim à vida, esqueçamos, por mais alguns instantes, o furo para a exploração de petróleo ao largo de Aljezur, o fosso salarial entre mulheres e homens, que aumenta com a idade, ou a (in)decisão do Trump em avançar com a cimeira.

 

A verdade é que é preciso esquecer por alguns momentos.

 

É preciso esquecer, porque devemos parar, fechar os olhos, refletir e manifestar a nossa opinião de acordo com os nossos valores e ideais. 

 

Devemos refletir sobre aquilo que se vai passar amanhã. Não sobre as quatro propostas acerca do «direito a uma morte digna», mas sim sobre  o que é isto de morrer com dignidade. Será que é mesmo tomar um comprimido e descansar para eternidade? Não me parece.

 

Antes de pensarmos sobre o «morrer com dignidade» devemos agir para vivermos dignamente. 

 

Temos que parar para pensar no que é que andamos aqui a fazer, o que pretendemos e, mais importante, quem somos.

 

Amanhã vai ser discutido um assunto que diz respeito a todos nós. Mas com que direito esse tema vai ser abordado? Quem conferiu aos nossos representantes políticos a permissão de discuitr um tema tão sensível como o direito à vida? À nossa vida? Neste caso, a pergunta mais acertada talvez seja «Quem conferiu aos nossos representantes políticos a permissão de discuitr um tema tão sensível como o direito à morte?».

 

A verdade é que é sempre mais fácil optar pela morte do que fazer um esforço pela vida. Custa menos dinheiro e poupa bastante trabalho. Dá menos preocupações. Mas torna-nos insensiveis e passamos a descartar a velhice como se esta fosse o fim de qualquer oportunidade ou possibilidade de viver com dignidade.

 

Amanhã é dia de parar, refletir e manifestar opiniões. Mas com dignidade. Não de morrer, mas sim viver com dignidade. Ao fim e ao cabo, é disso que se quer falar: dignidade.

 

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A (cão)fusão da eutanásia com os humanos

A vida e a morte são dois temas que, desde sempre, nos atormentam. Não é por acaso que muitas religiões pretendem dar resposta ao que acontece depois da morte, com aquilo que fazemos em vida. O problema é que ainda ninguém conseguiu chegar a uma conclusão credível e objetiva que reúna o consenso geral.


O mesmo não se pode dizer com o que se passa em vida. Aí podemos agir, decidir, determinar e ser a mão que segura a marioneta. Acredito que o nosso livre-arbítrio nos torna capazes de discernir e de fazer opções da nossa vida e, consequentemente, da nossa morte. O que não invalida que haja por aí mentes brilhantes que me levam a pensar que a mão que segura a marioneta esteja com uma câimbra...


Ora, alguém que me explique de que forma é que ao mesmo tempo que se discute o direito à eutanásia nos humanos, se proíbe a eutanásia de animais em canis (cf.

Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto)? (Os defensores dos animais não precisam de me odiar... é só uma reflexão.)


Como é que o valor da vida é diferente para os animais e para as pessoas?


Tenho notado que ultimamente se humaniza os animais, mas oh bolas! 


Humanizam-se os animais e desumanizam-se os humanos?


Eu sei que os animais devem ter direitos e que não é correto abatê-los apenas porque não temos como tratá-los com dignidade. Mas, lamentavelmente, também há muita gente que deveria ter direito a cuidados de saúde, paliativos, de proximidade, de carinho e amor. Ou não?


A partir de que momento é que se deixa ter dignidade suficiente para viver?


O que é a dignidade, então?


Há dois pesos e duas medidas?


Será uma questão económica? De facto, a esperança média de vida aumentou e a sociedade tem um problema que está encapotado. Mas, será que se está a arranjar uma solução fácil, rápida e de pouco custo? A morte?


Eu sei que as pessoas devem ter o direito a decidir sobre a própria vida, mas o caminho que se está a seguir passa por atribuir a outros (mesmo que sejamos nós a declarar em plenas faculdades mentais) o destino da nossa vida. Ou da nossa morte...


Nero fez uma coisa semelhante... Ah, desculpem, Nero era louco... Dizem...

 

Nota: Atenção aos pontos de interrogação. São simples dúvidas, não afirmações...

 

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A vida é tela em branco e nós somos os artistas

Falar sobre a Arte é pensar na subjetividade do olhar.

 

O artista, em frente a uma tela branca, pega no pincel e mancha, com a naturalidade das emoções que se fazem desenhar pelas suas mãos, aquilo que sente e vagueia pelo seu coração.

 

A dança dos pincéis que transformam a tela numa coreografia que dá vida à música que se ouve no ar. 

 

Uma música que ganha mais sentido através das palavras do poema que se canta, na beleza da voz que ressoa e que está a colorir a vida de quem a escuta.

 

Pensar na arte é sentir as emoções que esta despoleta através das sensações que o olhar absorve, que os ouvidos assimilam e que o coração constroí.

 

É dar significado a algo que em nós ganhou sentido, que nos acrescenta algo novo e luzido.

 

Há uma beleza na simplicidade, na vontade, na expressão. Há uma cor que dá vida ao céu numa dança de arco-íris. Há dor nas palavras. Há amor nas vozes. Há sentimentos na arte.

 

Falar de arte é pensar nas emoções. É afundar na intimidade do sentido em busca de um encontro único que ela nos proporciona.

 

Na sua subjetividade e no mundo do abstrato, imaterial, concreto e palpável. No mundo da contradição, da fugacidade e da eternidade. Tudo isto pode ser arte ou pode não ser absolutamente nada. 

 

Na verdade, o que importa, é mesmo o saber apreciar os prazeres que a vida desperta. Pois a vida é a nossa tela em branco e nós os artistas. Então, façamos a nossa própria arte. 

 

 

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Afinal, o que é que há todos os dias?

Todos os dias, horas, minutos e segundos há...

 

...a alegria no olhar de quem vê uma obra de arte, lê um poema que agrada, olha as crianças a brincar no parque ou apenas aprecia a beleza da manhã.

 

...o sorriso no rosto daquele que saboreia um gelado, de quem respira o salgado do mar ou sente a frieza da noite.

 

...o sabor da doçura de uma mãe que acarinha o filho, de um cão que brinca com o dono ou da alegria de um sorriso.

 

...o sentir da gentileza do abraço que conforta o solitário, que agarra pela mão aquele que se perde ou apoia a velhice de quem o acompanha.

 

...o vento que sopra contra as janelas e que constrói a banda sonora da natureza que se ouve numa tarde de domingo em que o céu chora e limpa a alma.

 

...o brilhar do sol, que reflete os seus raios na montanha, para uma paisagem pitoresca para um piquenique em família.

 

...o viver da oportunidade de renascer para um novo dia, de procurar um sentido ou de buscar a harmonia.

 

Todos os dias há qualquer coisa. Há uma razão, um caminho, um segundo, um minuto, uma hora ou mais um dia.

 

Há sempre qualquer coisa, nem que seja abrir os olhos e perceber que hoje é dia.

 

 

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Parabéns Portugal! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Portugal faz hoje 839 anos. Não é para todos!

 

Foi no dia 23 de maio de 1179 que o Papa Alexandre III deu despacho à bula «Manifestis Probatum» que oficializou a soberania do reino de Portugal, e que, segundo o Google Tradutor, significa «Provamos por clara».

 

Assim, provamos por claro que somos país desde essa altura, sem contar com a assinatura do Tratado de Zamora em 1143, ou com as batalhas de São Mamede, em 1128 e de Ourique, em 1139. Noves fora nada fazemos anos hoje!

 

Somos uma das nações mais antigas e das mais originais.

 

Começando com um rei cuja vida dava para encher muitas revistas cor de rosa, passando por outro que ainda não apareceu no nevoeiro e terminando noutro que se exilou. Não esquecendo as desventuras amorosas, as aventuras das caravelas, a ditadura e as revoluções com cravos nas espingardas. Enfim, a nossa história dava um enredo de uma novela, daquelas de agora que têm várias temporadas...

 

Atualmente, continuamos a sonhar com os reis dos outros países como se fossem nossos. E elegemos um Presidente da República que parece um soberano dos tempos modernos com o poder da omnipresença.

 

No fundo, somos lindos, maravilhosos, retangulares e esperançosos de melhores dias, mesmo que para isso nada mais façamos que criticar, passivamente, o que vai acontecendo.

 

- A gasolina sobe, é chato.

- O tempo está mau, é chato.

- Há corrupção, é chato...

 

Em suma, vamos vivendo... Afinal é chato parar de viver.

 

Parabéns Portugal! Tudo de bom para ti!

 

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O despertador tocou

Triiiim! Triiiiim!

 

É hora de acordar

E o despertador já está a tocar.

O barulho é incomodativo

E agora não me sai do ouvido.

 

Mais uma manhã,

Espera-me um novo dia.

Nada de novo.

Tudo deve ser igual.

 

Nada parece o mesmo. 

Ou o meu olhar é que está diferente?

A mudança da noite para o dia.

A oportunidade numa manhã que irradia.

 

Tudo é diferente.

Nada é igual.

Afirmo, veementemente,

Não é apenas da minha mente.

 

Afinal deve ser tudo como todos os dias.

A manhã nasce,

O despertador toca,

Eu acordo.

Eis que surge ela novamente.

 

É um novo dia.

Uma nova manhã.

O despertador tocou

E a oportunidade de ser feliz chegou.

 

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Há magia em qualquer lugar

Há magia no ar.

Há magia no dançar.

Há magia quando dois atletas entram num praticável. 

Há magia quando fazem maravilhas com um elemento que, à partida, seria suplementar.

Há uma cadeira de rodas que dança, que dá suporte e une a agilidade à vontade de vencer.

Há pessoas que fazem o espantoso feito de fazerem as outras felizes.

Há arte naqueles minutos de atuação.

Há Arte porque a dança/ginástica une pessoas. Une gerações e superações.

E surge um brilho líquido no olhar, que nos faz cair na nossa singularidade.

Na felicidade de ser capaz e nos heróis que fazem coisas extraordinárias.

E dá-se o feitiço do encantamento e da emoção.

Parabéns aos dois atletas do Clube Desportivo e Cultural do Enxerim. Foram maravilhosos!

 

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O poder das palavras, palavrinhas e palavrões

Há palavras que são palavrinhas e palavrinhas que são autênticos palavrões.

No meio de tanto palavreado o que interessa são mesmo as interpretações.

Palavras que transportam e palavras que enriquecem, 

No fundo, o que se quer mesmo, é saber o que estremecem.

 

Das palavras que são vazias, àquelas que carregam o mundo,

No meio de tanta agonia, elas são um bem profundo.

Uma busca pela palavra e sobre o seu significado,

Numa tal permanência em que tudo está petrificado.

 

As palavras são poderosas, são capazes de alegrar,

Mas não se pode esquecer, o poder de nos magoar.

Por isso, há palavras e palavrinhas, palavrinhas e palavrões,

O mais importante que tudo são o mundo de imaginações.

 

Vamos, então, usar e abusar deste bem precioso,

Que nos foi dado como um tesouro valioso.

Usemos as palavras, gritemos quase a berrar,

Porque na verdade, elas são capazes de sobejar.

 

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Está aberta a época dos caracóis

A chegada da primavera anuncia muito mais do que os dias maiores, o desabrochar das flores e o vestir das árvores que o inverno, impiedosamente, despiu e tirou a cor.

 

A primavera traz a poesia, a boa disposição e as jantaradas com amigos que começam a meio da tarde e não têm hora para terminar.

 

Mas é também um tempo em que andamos com os anti-histaminicos na carteira, temos os olhos inchados, mas, ainda assim, sabe sempre bem passar a tarde de domingo numa esplanada a comer caracóis. 

 

Sim, caracóis!

 

Não há esplanada que não tenha uma referência que diga «Há caracóis», «Temos caracóis» ou «Vai uma caracolada?».

 

Estes bichinhos rastejantes tornam-se a razão para a escolha do espaço que vamos ocupar durante a tarde, com uma travessa de caracóis, torradas e uma cerveja bem fresquinha.

 

Está oficialmente aberta a época dos caracóis e das caracoletas. A altura em que se anda de costas curvadas pelos campos à procura deles para preparar um saboroso petisco.

 

E para quem não gosta de caracóis? Bem, contentamo-nos com uma boa cerveja fresquinha. Afinal, o que importa, é mesmo a companhia.

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