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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Por último, resta o Amor

Já dizem os Xutos e Pontapés: «vou tirando fotocópias e vou pensando em ti». Este deve ser o melhor verso de um poema que envolve a palavra «fotocópias« (logo seguido pelo texto poético da Alexandra Delgado). Na verdade, todas as palavras são boas para fazer poesia, desde de que se faça magia com elas.


Escrever sobre fotocópias, sem pensar na repetição é, praticamente, impossível, dado que o copiar algo que é de outra pessoa tem o seu maior cumprimento quando se tira uma fotocópia. Fica tal e qual, com ligeiras imperfeições de impressão, que as novas tecnologias vão disfarçando e anulando. Paralelamente, os direitos de autor também estão cada vez mais disfarçados pelo progresso, porque há gente que tudo copia e de tudo se apropria, como se a Criação fosse tão simples de ouvir como o «pi» da fotocopiadora quando termina a sua função. Há que manter os padrões, a honestidade, o reconhecimento e o respeito por aquilo que não fomos nós a criar.

 

Frequentemente somos também fotocópias uns dos outros, produzidos por uma geringonça qualquer (não fazer qualquer conotação política) que nos vai uniformizando e automatizando. E nós, sem nos apercebermos do barulho que nos envolve, vamos caindo em cima uns dos outros, comprimindo os que estão em baixo e sendo esmagados pelos que se vão sobrepondo. Nem nos mexemos. Simplesmente, deixamos que isso nos aconteça, como se essa fosse a única realidade, de tal forma que quando sai algum mal formatado, é lançado no lixo.

 

Somos códigos de barras à espera do «pi» final. Muitas vezes é este o plágio que fazemos de um mundo que pensamos ser o ideal.

 

Mas a esperança de todos irmos tirando «fotocópias e pensando em ti» resgata-nos de tudo isto. É o Tu que ainda nos vai dando cor, porque o Eu, muitas vezes está tão tingido de tinta negra das fotocópias, tão padronizado, que nem repara que já há fotocópias a cores! E são as cores que nos movem no final do dia. E são as cores que nos abrem o horizonte. Aliás, a Criação concede-nos o privilégio de termos, diariamente, o pôr-do-sol cuja característica da cor nos emociona, nos embeleza e nos transporta com uma boa perspetiva para o dia seguinte. Claro que, para alguns beneficiados, o final do dia também traz o conforto de um abraço, a carícia de um sorriso, o aconchego do lar.

 

No fim, resta o Amor, mesmo que seja a preto e branco, como nas fotocópias...

 

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 Nota: Hoje fui eu a escrever sobre fotocópias. Um verdadeiro desafio! 

Entre as amarras do tempo posso voar pela esperança

São longos os ramos que me suportam

Por duas cordas que me transportam,

Num vai e vem, num sobe e desce,

Num vem e vai, que desce e sobe.

 

São fortes e vigorosas

As amarras que me sustentam,

Que me levam a outro nível,

Que me trazem algo aprazível.

 

Um suporte em que me encaixo,

Em que me estendo e relaxo,

Num espaço em que alcanço

Que percorro a pé descalço.

 

Um balanço que me dá força

Que se distingue por entre abraços,

Nesta busca que me desconforta,

Que me destrói em pedaços.

 

Uma força desconhecida

Que impacta descobertas,

Revivo uma infância perdida

Na procura de imagens incertas.

 

Num baloiçar que me transporta à lua,

Que me leva por entre estrelas,

Entre beijos que cintilam,

Que aquecem nas friezas.

 

A água que escorre pelo rosto,

Do sopro intenso, do desgosto,

Numa experiência que me acaricia,

Que recorda a alegria.

 

Mas tudo são memórias,

Puereis e felizes,

Que ficaram no passado 

Que hoje, recordo com saudade.

 

Por isso, sento-me no baloiço,

Dou balanço para trás,

O vento sopra-me no rosto

E tudo isto me apraz.

 

Baloiço e sou feliz,

Baloiço e sou criança,

Entre as amarras do tempo 

Posso voar pela esperança.

 

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