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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Em ti encontro o que preciso...

As coisas que mais recordo com alegria são aquelas que me trazem à memória as malandrices da puerilidade que tomam conta do crescimento.

 

Coisas como saltar à corda, joelhos raspados das quedas de bicicleta ou de uma descida mais inclinada em patins.

 

Tardes em que comia guloseimas e batatas fritas ou gelados comprados na «carrinha do Sr. dos gelados». Sim! Era o nosso vendedor ambulante que tinha os melhores sabores de chocolate e amêndoas caramelizadas. 

 

Lembro-me dos figos que apanhávamos quando trepávamos árvores e sentávamo-nos debaixo da figueira a saboreá-los na sombra dos dias calorosos ou das amêndoas que partiamos com uma pedra sentados nos passeios.

 

Há coisas que ficam registadas na memória, como se fosse cinzel na pedra. Mas as que tu me ensinaste trago comigo sempre, para o meu viver diário, como se de ensinamentos num livro de sabedoria se tratassem...

 

Ensinaste-me a perdoar em lugar de guardar as mágoas, a sorrir quando à volta tudo parecia tristonho e a amar com o coração e não apenas com leves palavras...

 

Ensinaste-me a dar a mão, a falar e a brincar; disseste-me, quando tinha dúvidas e receios, que tinha o mundo para enfrentar e conquistar...

 

Das tuas palavras saíram sinais de doçura e travessura, de alegria e malandrice. O que me dizes todos os dias soa como lago de ternura onde brota a pureza do amor.

 

Ensinaste-me a ser cuidadosa, lutadora e destemida. Nas minhas dificuldades carregaste-me ao colo, mesmo quando não era criança. Limpaste as minhas lágrimas de menina crescida, como quem cuida das feridas no joelho de uma criança.

 

Com todas as provações que a vida te colocou, sempre aprendeste com elas. Foste feliz na simplicidade e no desprendimento...

 

Quando recordas os outros tempos, no teu olhar verde esperança (igual ao do teu pai!), abre-se um brilho de quem revive a herança da felicidade.

 

Nos teus abraços fortes que me aconchegam, repouso e descanso.

No colo da mãe que me carrega, sendo eu adulta e determinada. 

No teu amor encontro a paz que preciso.

 

És minha mãe e amiga, no teu carinho encontro a força, os ensinamentos e as palavras de conforto.

Em ti encontro o que preciso...

 

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Conquisto o mundo através do sonho

Paro, respiro e penso.

 

Nada acontece no turbilhão das ideias.

Sinto-me invadida pelos sonhos, vontades e desejos...

Sinto-me desconcertada pela arquitetura dos anseios.

 

No vasto deserto, que se estende pelo horizonte,

As palavras ganham sentido, cor, vibração,

Sabor, movimento e emoção.

 

Na vastidão das florestas pintadas,

Como quadros de natureza morta,

A vida tem lugar nas flores desabruchadas.

 

Um sentido de perfeição

Que se constrói ao vapor da imaginação,

Que se reproduz no sorriso

E desmantela sem aviso.

 

Como se na linha do coração

Ganhassem luz os tunéis de escuridão,

Num sonho pela estrela brilhante

Que se ilumina como ouro e diamante.

 

De pérolas presas ao peito,

Que emebelezam o corpo desfeito, 

Numa dança de amor quase perfeito.

 

Salto, avanço e rio.

 

Sinto-me como criança em busca do mundo,

Em alvoroço no baloiço que recrio

Para o alcance do desejo profundo.

 

Nesta conquista do sonho

Há-que ter alegria no olhar,

Sabor no coração,

Amor na imperfeição,

E gosto pelo caminhar;

 

Esta é uma pesquisa sem fim,

É ter dor na solidão,

É sentir frustração

E ainda assim, a vida apreciar

Na devastidão da imaginação.

 

Sonho que os sonhos são os meus planos para o futuro

E que se constroem no silêncio da noite.

Ganham forma quando o meu ser acalma nas estrelas que brilham,

E quando o meu coração repousa do dia-a-dia.

Sonho, e quero sonhar,

Que há sempre mais para conhecer,

E um mundo de sonhos para alcançar.

 

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Os sonhos não dão tempo para parar

O sonho é o que de melhor temos de realidade.


São os sonhos que nos fazem seguir para a frente, numa busca constante por algo.


Mas, não são apenas os sonhos que temos quando dormimos que nos transportam para uma realidade paralela onde tudo é diferente e possível. São também os sonhos que temos quando fechamos os olhos e viajamos para onde a nossa mente nos levar. E são os sonhos que temos como metas. São esses que não nos deixam perder o rumo, que estão no horizonte, que nos fazem seguir e conquistar.


Ignorarmos os nossos sonhos, pondo-os debaixo do tapete, escondendo-os, vai fazer com que eles nos persigam e, por diversas vezes, nos façam tropeçar e cair, para logo depois nos levantarmos e continuarmos. Os sonhos não dão tempo para parar!


E seguimos, caindo, levantando e tropeçando, sem nunca perder o rumo, nem a esperança de um dia melhor, de algo mais que nos conduza à felicidade, àquilo que procuramos e que nos dá estabilidade.


Os sonhos são pequenas utopias que se transformam em seres que existem e que querem viver, com tudo aquilo a que têm direito.


São dias solarengos, leves, lindos, amenos, que comandam a vida para a eternidade.


São o amor infinito, constante, universal, que comanda a humanidade para uma nova manhã.


E, sim, eu também tenho um sonho... Sonho que nunca deixarei de sonhar...

 

 

 

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Três dias, trinta crianças e muita alegria

Há coisas que não podemos simplesmente ignorar...

Sejam alguns chuviscos nas manhãs de verão, um mergulho debaixo do luar e céu estrelado ou apenas uma guitarra que rasga notas musicais num cenário bucólico e bem disposto.

 

Há sorrisos que enternecem, no meio das traquinices, os corações que se enchem de alegria e carinho.

E claro que há sempre espaço para aqueles abracinhos que nos envolvem na amizade e que dão o alento para mais um dia, para mais uma aventura.

 

Foram três dias, trinta crianças e muita alegria!

Muitos mergulhos, muitos saltos, brincadeiras e gargalhadas!

Entre partilhas de marmitas, camisolas perdidas, meias penduradas e lenços esquecidos, as memórias não se perdem. Criam-se novas oportunidades de comunhão, de aprendizagem, de ser verdadeiro e de melhor servir.

 

Na brincadeira, que nasce no amanhecer e tranquiliza no entardecer, há tanta vivacidade que não se pode parar e apenas ignorar o que está a acontecer à nossa volta.

 

São três dias e trinta crianças. É muito trabalho que se recompensa com amizade, com carinhos, beijinhos e abracinhos.

 

Sim, vale a pena parar a rotina e entregarmo-nos à aventura de ser escuteiro.

Vale sempre a pena servir e ter sempre a melhor vontade para ser feliz!

 

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O ataque dos titãs poderá estar próximo?

Vivo num sítio verde-esperança, verde-esmeralda, verde-mar no horizonte.

 

Um verde que nos maravilha o olhar, que nos retém a respiração, que nos envolve no seu manto. Tão lindo, tão natural e, ao mesmo tempo, tão frágil.


Viver rodeada deste verde-verão traz todos os dias uma inquietude, um desespero, um medo, uma sensação de perigo constante.


Cada vez que ouvimos uma sirene ou o latido agastado das pás do helicóptero ficamos paralisados. Petrificados. Entramos num estado de alerta eminente.


Nada que se consiga controlar, nada que se consiga descrever, nada que se consiga fazer.


Há um perigo que espreita a cada segundo, seja por maldade, dinheiro ou descuido. O medo de que este verde-esperança se transforme em negro-noite, negro-triste, negro-morte, acompanha cada ser que habita neste sítio encantado.


Ninguém consegue esquecer a falta de sol, o cheiro a queimado, a morte, a chuva das folhas de eucalipto a caírem ardendo no centro da vila.


Ninguém consegue esquecer a imagem de um grupo de bombeiros com a mangueira ligada em leque para que o fogo não os devore.


Ninguém consegue esquecer a encosta sul em modo incandescente, transformada num monstro que alastra, engole e devora tudo o que lhe aparece pela frente.


E, no entanto, tudo tão negligente.


E, no entanto, tudo tão inerte.


Fala-se da limpeza das bermas das estradas. Fala-se das faixas de contenção. Fala-se dos sobrantes da madeira que ficam no terreno. Fala-se, diz-se e noticia-se. Apenas isso.


Este fim de semana fiz uma viagem por estradas nacionais no sentido norte-sul e foi raro ver uma berma de estrada limpa. As entidades com mais recursos são, também, as que mais falham neste aspeto. Talvez por não terem sentido na pele o que é o fogo. O que é o desespero. O que é não conseguir respirar ou ver o sol, porque o fumo filtra a luz e o ar.


Há que tomar consciência. Há que agir. Defender as pessoas. Defender a vida! Não é com demissões ou com cenários encenados para a comunicação social que se vai conseguir evitar a repetição da criação deste ataque de titãs. Não é com negociatas de milhões que se vai fazer o pleno, principalmente quando falha o que é mais simples.


No final, o que resta são homens e mulheres que enfrentam, corajosamente, um monstro criado por outros. Homens e mulheres, com os olhos marejados em lágrimas, que são pequenos grandes deuses que lutam para que a ordem seja restabelecida.


Vivo num sítio verde-esperança, verde-esmeralda, verde-mar e tenho medo que se transforme em negro-cinza...

 

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A esperança é tudo quando temos nada

De todos temas, sugestões ou palavras, hoje escolho a esperança.

 

Não só porque a sua cor verdejante me lembra o olhar doce do meu avô.

Não só porque ela dá alento para as dificuldades.

Ela existe no abraço apertado da minha mãe

E nas palavras doces dos amigos que me confortam na tristeza.

É poder na minha oração quando entrego o coração.

Está presente quando tudo desmorona e ela surge como flor da vida.

Ganha forma na criança que corre pelo parque

E tem força no velho que sorri...

 

É a vibração da claque que festeja o golo marcado,

O sabor da vitória de quem enfrenta uma doença,

O poder da calma de quem medita no horror da gruta

Ou o «obrigada» que surge no agradecimento da luta superada.

 

É a chuva que cai em terreno seco.

É copo meio cheio,

Força que brota do interior,

Luz ao fim do túnel da escuridão.

Céu azul em dia de inverno

E sol quente em dias de chuva.

Agasalho em noite fria.

É neve que toco pela primeira vez,

Bola que pontapeio, beijo que dou.

É calor, fogo, conforto.

Dança sem ritmo, música sem poema.

Céu estrelado em dia de nevoeiro.

É Dom Sebastião que chega do império perdido.

Povo que se constrói.

Amizade que se fortalece.

 

A esperança é tudo quando temos nada.

Existe só pelo acreditar.

Existe apenas porque queremos viver.

Ela é acendalha da nossa fogueira.

Ela é luz no nosso olhar.

 

Sim, tudo isto é ter esperança, é ter vida.

É ser ribeiro que corre sem preocupação com o destino,

Mas sabe que cada curso é um novo desafio.

 

Em cada obstáculo vejo uma nova aprendizagem.

E quando há vontade de superação, 

A beleza verdejante, de olhos doces e esperançosos

Acompanha-nos nas veredas da caminhada

Rumo ao encontro inesperado da luta conquistada.

 

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Incentivo a todas as segundas-feiras

É segunda-feira
Trabalho para a semana inteira,
Mesmo em dia de verão
Alguém me arranje um fim de semana
Bom bom bom bom
Já já já já

(Nota: Ups. Isto é um plágio, colado com cuspo, para justificar um texto sobre a segunda-feira.)

 

Pois é, o ódio às segundas-feiras está cada vez mais enraizado quando acordamos de manhã. Não sei se é dos programas de rádio matutinos que nos acompanham para o trabalho, se é mesmo que a segunda-feira, apesar de ser o segundo dia da semana, traz consigo algo de negativo, péssimo, qualquer coisa que justifica muita da inércia e da preguiça que por aí anda.


Realmente, custa levantar cedo, mas para mim, custa-me levantar cedo todos os dias... E, assumo, gosto de algumas segundas-feiras, tal como gosto de algumas terças ou quintas. Depende do que tenho para fazer, e do espírito de iniciativa que sinto...


Se o fim de semana fosse de três dias o estigma estaria ligado à terça-feira. Ou não?


Na minha opinião, que provavelmente vale o mesmo que uma segunda-feira para a vida de algumas pessoas, o problema não é o dia da semana, é o trabalho para onde vamos. Ou a maneira como encaramos a vida. Será que não podemos ser felizes à segunda-feira? Claro que podemos. Será que não há dias solarengos à segunda-feira? Claro que há.

 

Portanto, peguemos na trouxa, penteemos o cabelo, ponhamos um baton, mesmo que seja para o cieiro, e bora lá que é início de semana e temos muito para fazer!

 

(Nota 2: Qualquer semelhança com um texto normal, por favor aplicar a raiz quadrada da segunda-feira, ou seja um graaaande desconto!)

 

 

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Hoje é um dia igual aos outros

O despertador toca e tenho que me levantar.

 

Despacho-me e como uma torrada a caminho do carro, onde bebo um iogurte para poder ter a sensação de que tomei um bom pequeno-almoço.

 

Parece sempre tudo igual. Os cães a ladrarem pela manhã, o sol a ferir a vista numa tentativa de nos acordar e a rádio a tocar para mais uma viagem até ao trabalho.

 

O mesmo caminho, as mesmas músicas, as mesmas vozes e a mesma paisagem.

 

A semana começa igual a todos os outros dias. Com a diferença de que hoje é segunda-feira.

 

A maldita segunda-feira!

 

Aquele dia que chega e dá início a mais uma semana de corre-corre, de faz e desfaz, de muito trabalho e pouco descanso. Mas o mal não é isto acontecer todos os dias. O mal é ser neste dia

 

Um presságio para tudo o que corre mal. A culpa é sempre dela. 

 

Sentimo-nos como o Garfield, que odeia este dia! 

 

Simplesmente odiamo-lo. Temos isso em comum. Somos uns insatisfeitos, mas só à segunda-feira. Porque ela é que é a má da fita. Acaba com o nosso descanso, obriga-nos a acordar cedo, a retomar a rotina e enfrentar os problemas diários. 

 

Parece que caimos em depressão à segunda e, durante a semana, a luz entra nas nossas vidas. Quando chega o domingo, estamos na plenitude da felicidade. E pronto. Já vem ela outra vez.

 

Na verdade somos uns insatisfeitos e inconstantes. Hoje é um dia como qualquer outra da semana. É sempre mais uma oportunidade para ser feliz. Nem que seja para contrariar a maldita da segunda-feira!

 

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Sem título... (Sou de onde estou)

Sou um híbrido
Nem de cá, nem de lá
Não tenho estadia prevista
Não tenho horizonte definido
Cada dia, uma interrogação
Cada ano, uma nova localização
E a angústia
E o desespero
E a incerteza.
Não tenho naturalidade
Sou, de onde estou
E quero ir
E quero ficar
E quero estar.
Fico preso ao teu sorriso
À tua mão que se encosta à minha
À evolução do teu ser.
E, eis que me és arrancado
Gritas por mim, e eu por ti
Nunca mais te irei ver
Vou imaginar-te para sempre
Como um ser idílico
Como um ser que ajudei a construir
Vou sonhar contigo nas noites de verão
Vou sentir a tua mão
E, eis que chega um novo ano.
E a angústia
E o desespero
E a incerteza.
Cá estou eu
Um híbrido em qualquer lugar.
Sou o vento
que vai, sopra, deixa o seu ruído
faz-se sentir para sempre no teu olhar.

 

 

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Eles são a história que não queremos deixar de ler

Não tem quase nada e, do pouco que tem, boa parte já a memória levou consigo.

Não resta muito entre as hortas abandonadas, os baldes com água das últimas chuvas e folhas que lá caíram.

Há ferramentas enferrujadas entre pedras e caminhos que não existem.

Há um abandono das lides que outrora eram símbolo de vida.

Um desapego ao sentimento.

Um abandono da realidade ou uma simples paragem no tempo.

 

No fundo, não tem nada.

É uma embalagem vazia, sem interesse e que se esquece.

Um pedaço de história que fica esquecida entre livros de biblioteca.

Uma folha de papel, na caixa ao fundo do sótão, cheia de pó, mas cheia de memória.

É bolacha sem sabor, imagem sem cor.

É iogurte fora do prazo ou pizza sem queijo.

É algo sem sabor, sem cor, sem som.

Uma qualquer coisa que pouco se move, um nada que só existe.

 

Mas quando se para e observa, há toda uma história, uma vida, uma descoberta.

Uma cor no olhar triste e abandonado.

As rugas da vida gasta e vivida a trabalhar debaixo do sol.

Rugas que fazem caminhos pelo rosto consumido pela idade. 

Trilhos carregados de dor.

Um sorriso que se esconde entre as amarguras da vida.

Uma pequena boca, quase vazia, onde restam as últimas palavras que soam de quando em vez.

Palavras que ecoam pelo silêncio gritante daquele sítio sem gente.

A gentileza nas mãos que seguram a bengala e apoiam o corpo curvado e consumido pela idade.

Uma beleza dos anos que passaram. 

Uma história. Uma vida.

São pequenos heróis que se construíram e que o tempo leva consigo.

 

Estão sós. Abandonados.

Acompanhados pela solidão.

São tão sós. Tão eles. 

Estão sem Nós.

 

São velhos que por aí estão.

São velhos com um grande coração.

Com história, com vida.

Eles já foram como nós.

Eles são aquilo seremos.

Eles são a história que não queremos deixar de ler.

Que queremos ouvir

E que queremos viver.

Eles são os nossos «avós».

 

 

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