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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Esta é melodia que dá sentido à vida

No fim de tudo só nos resta o Amor...

 

Aquele sentimento que dá sentido a todo este caminho que percorremos. Resta deixarmo-nos levar pelos seus braços fortes, palavras doces e olhos de encantar.

 

Ter Tempo para amar é dar sentido à vida até que chegue a Morte. Por isso, só nos resta o Amor.

 

O amor da mãe  que dá o seu corpo para gerar uma nova vida. O amor do pai que abraça o filho e que o carrega ao colo. Do avô e da avó que olham os netos com serenidade e proteção. Os irmãos que brigam e fazem as pazes, os amigos que dão as mãos, os tios que aconselham, o namorado que se entrega e o marido que se dedica.

 

Tudo isto é amor. Tudo isto tem sentido. 

 

Há melodia quando amamos... Uma sinfonia que toca e que nos desperta para algo belo, que enche de inspiração a nossa mente para continuarmos a escrever nas páginas dos nossos livros as histórias do nosso dia-a-dia. 

 

E entre as linhas da história que escrevemos da nossa vida, pelas letras redondas e desenhos floridos que gravamos nessas páginas intermináveis, é o Amor que nos inspira.

 

E para Amar é preciso Tempo. Para ter Tempo é preciso viver. Por isso, para Morrer feliz, basta ter Tempo para Amar!

 

Este é ciclo que não se quebra e que tem movimento, emoção, cor, melodia e paixão. E se se quebrar, não nos resta mais nada...

 

Então ouçamos a melodia do Amor, apreciemos a sua música e deixemos que o nosso coração se encha com esta composição de sopros ou dedilhares de sentimentos e emoções.

 

Ouçamos a melodia do Amor e aprendamos a encontrar a beleza que precisamos para uma vida plena...

 

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Nota: Este é o último texto da triologia Tempo, Morte e Amor que eu e a Lucia nos disposemos a escrever esta semana. 

 

Amor

Alegro-me só por existires.

Só por existir a ideia de ti.
Fazes parte do tempo que não passa, da vida que vagueia pelas linhas do imaginário.
Não sei se alguma vez te irei encontrar.

Não sei se realmente existes.

Na minha ideia és a perfeição, a plenitude, o sonho que se torna real.
Estilhaça o tempo para tu teres lugar.

Vagueia a morte para que te possa encontrar.

Tudo o que te rodeia é suave, terno, doce, etéreo.
Sinto-me bem com a ideia de ti.

Com a concretização de tu existires ali,

ao virar do olhar, no preenchimento do horizonte.
Num desassossego permanente.
Fazes parte de mim. És o prolongamento do meu eu. Do meu ser.

Da minha esperança de um dia sem ocaso.

Talvez chegue o dia do encontro, do abraço e do nós.
Até lá...

Sabe que sorri quando me lembrei de ti.

 

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A morte fica-nos tão bem

A morte. Tão linda e airosa. Maravilhoso enigma que nos comanda a vida. Geralmente lembramo-nos dela vagamente, lá muito longe. Em dia e hora que não podemos precisar. Em momento esquecido. Em instante transitório.

No fundo, não passamos de matéria, de pequenos grãos que se unificam e que morrem a todo o instante para dar vida a outras microscópicas cavidades.

Morremos a cada momento, assim como matamos a cada momento. Morremos em termos biológicos, matamos nas emoções e atitudes e suicidamo-nos constantemente na crítica pessoal e no nosso eu mais escuro.

A morte é uma senhora. Que vence a adversidade, a chuva intensa debaixo da trovoada para nos conduzir à luz.
A morte é a nossa segunda oportunidade de sermos felizes, porque, na primeira, a responsabilidade é nossa. Independentemente da crença que temos, da religião que seguimos ou do ceticismo que desenvolvemos, a morte traz sempre uma segunda oportunidade, quer seja a ressurreição, a reencarnação ou o simples descanso de todas as trapalhadas, vícios, incoerências, lutas, guerras e alegrias, que travamos enquanto, conscientemente, vivemos.

A morte é o desconhecido e, por isso, é tão difícil falar dela. Ninguém fala do que não sabe, do que não viu, do que não leu, do que não viveu. O que nos assusta nem é a morte em si, é o momento em que passamos do consciente para o eterno estado do nada ou do tudo. O que nos assusta é a dor, portanto quando alguém morre nós choramos os momentos que vivemos com aquela pessoa e que perdemos. Choramos a egoísta solidão que sentimos.

Somos seres de ego, de superego e a morte é o nosso alter ego. Aquele que não conhecemos, e que temos medo de encontrar o rosto.

Morremos, é certo, todos os dias. Mas a vida é isso, podermos regenerar o pó que somos e transformá-lo em plenitude, em matéria, em existência, em movimento e em ação.

Ontem terminei o texto do Tempo falando do amanhã. Hoje termino o texto da Morte falando do hoje, do instante que temos de aproveitar, de viver plenamente, até que aquela senhora elegante e bela nos leve, pela mão, para a nossa segunda oportunidade de viver o amor.

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Ciclo inquebrável

Os dias passam... Com eles aparecem as rugas como traços das histórias de uma vida que nos desgastou até à profundidade da nossa pele. 

 

Avançamos em busca de algo, como objetivos bem definidos, projetos e idealizações que têm de se concretizar a todo o custo.

 

O mesmo acontece com os astros. Pensemos nas estrelas que nasceram, cresceram, envelheceram e morreram. Mas, apesar da sua morte, continuam a brilhar, lá longe, num espaço inalcançável e que nos enche a tela do céu noturno de uma beleza indescritível.

 

Há um ciclo que não se pode quebrar: nascemos, crescemos, vivemos (ou não!) e morremos. É simples. É um facto e não se podem saltar passos.

 

Para viver é preciso tempo... Para morrer basta estar vivo.

 

Então, para refletir sobre a morte é preciso encontrar beleza na vida para esta signifique algo. Para que não seja vazia...

 

Hoje andamos na azáfama das rotinas inquebráveis. Percorremos os continentes, conhecemos culturas, lemos sobre tudo e sobre nada, conhecemos todos sem nos conhecermos a nós mesmos. Mas a vida tem sentido. Ou parece ter algum sentido...

 

Prefiro olhar para as coisas como símbolos de algo que nos enriquecem. No seu mistério de existirem, apenas embelezam este caminho que fazemos e cujo final é inevitável e certeiro.

 

Vamos aproveitar os instantes. Vivamos com alegria, comamos, bebamos, saltemos, brinquemos e abrecemos. Aproveitemos para dançar, cantar, sorrir, gargalhar, passear, olhar as estrelas e as paisagens naturais que embelezam o nosso olhar!

 

Apenas não nos esqueçamos de aproveitar todos os instantes. Até porque o Tempo não para e Morte há-de chegar. E no fim, o que é que nos resta?

 

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Nota: Este é o segundo texto da triologia Tempo, Morte e Amor que eu e a Lucia nos dispomos a escrever esta semana. 

 

Sempiterno instante

Todos os dias nos debatemos por ele.


Agreste, intenso, rezingão, arrogante na mesma medida em que é leve, suave e etéreo.


O tempo passa por nós, trespassa-nos, atravessa-nos, muda-nos o sentir. Muda quem somos. Muda o que somos. O que acreditamos...


Corremos desesperadamente atrás de um relógio desgovernado. Ano após ano, hora após hora, segundo após segundo. Até que por momentos surge a lucidez e tomamos consciência do que passámos, do que vivemos, do que sentimos. E passa tudo tão depressa! Numa velocidade descompensada. Tão veloz como a luz.


O tempo... tão desconcertante e no mesmo momento tão puro. 


Na curta duração de razão somos bombardeados com o crescimento dos que nos rodeiam e com o crescimento da criança que fomos. Rumamos, muitas vezes à infância, numa viagem no tempo de tranquilidade e fantasia. Lá era tudo tão mágico. E, de repente, somos sugados para a atualidade do passado.


Há quem diga que só pensa no presente. No hoje. Mas o agora já era. Cada instante já foi. Vivemos constantemente no passado e deixamos passar aquilo que mais queremos, porque o amanhã trará o que é preciso. Esperamos o amanhã como se o relógio se consertasse, como se o tempo controlasse e evoluísse à nossa medida. Mas, também, constantemente percebemos que o amanhã já passou. Que não o desfrutamos corretamente. Que não o aproveitamos.


Entretanto, surge a Esperança e o dia de amanhã será sempre melhor que o de hoje! E se não for?...

 

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Nota: Este é o primeiro texto da triologia Tempo, Morte e Amor que eu e a Alexandra nos dispomos a escrever. Vejam o da Alexandra, também publicado hoje aqui.

Pensar no tempo não é perda de tempo!

Pensar sobre o tempo é muito mais desafiante do que ver a sua definição no dicionário. E há tantas que é preciso tempo para lê-las!

 

Ora, segundo esse livro de definições tão prático, podemos entender o tempo como um prazo, estação do ano, um temporal, uma época, uma oportunidade, um movimento ou duração de uma ação. Há tantos tempos e nós continuamos sem ter tempo...

 

Então, escrever sobre ele é quase uma perda de energia. É duro pensar naquilo que não temos ou que não controlamos. É deixar de viver no agora para tentar passar para o concreto aquilo que vive intensamente no estado psicológico.

 

Sobre o tempo muito se diz, se escreve e planeia. A verdade é que ele passa sem darmos conta.

 

Agora que paro e penso nele, percebo que a sua rapidez é quase impercetível. É como olhar para o passado e ver marcas numa cronologia de acontecimentos, os quais nos parecem longínquos quase sonhados. Nada parece real...

 

Gosto de pensar no tempo como uma oportunidade em que, no meu pensamento, paro para olhar as folhas vermelhas, laranjas e amarelas das árvores que me dizem que é outono e que chegou a minha estação de eleição.

 

Apraz-me o cheiro da terra molhada e ter tempo para apreciar esses aromas característicos da estação.

 

Olho para trás e vejo que muito já se passou, que marcas fui deixando, que o tempo passou e que com ele cresci e aprendi.

 

É este olhar para "ontem" e reviver o que já não volta que me revelam que o tempo é precioso. Traz consigo a beleza das oportunidades, das conquistas e do viver mais um pouco todos os dias.

 

Pensar no tempo é encarar a beleza da vida, uma qualidade que só é contável pela sua passagem, marcas e aprendizagens.

 

Por isso o tempo é sonho, é arte, é conquista, é movimento e ousadia. Traz consigo a alegria, a cor, o sol, a chuva,  o vento, os relógios e tudo o que quisermos alcançar!

 

Para mim olhar o relógio é ver o tempo passar, é vê-lo correr através dos ponteiros sem nunca parar.

 

E estar parado no tempo é não viver. Se for para pensar no tempo, que seja no agora, porque este é o momento que ainda me pertence e sobre o qual vale a pena pensar e aproveitar...

 

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Mais um sucesso!

Passados que estão mais de três meses do último post. Eis-me aqui!

 

O mundo não para, continua, insistentemente, apesar de cambalearmos, batermos, sermos sugados para uma realidade paralela da qual não entendemos o sentido.

 

Não há muito para dizer em relação ao que originou o meu último post, a não ser que provocou algumas reações, gerou algumas partilhas e do qual obtivemos algumas visitas.

 

Agora, entrou no esquecimento, tal como o motivo que o criou.

 

A vida voltou, mais ou menos, à normalidade.

 

Fala-se agora de cultura, da apanha do medronho que ainda resta, do frio que se avizinha, da chuva que não para, do Natal que se espera, da solidariedade coberta de cinzas...

 

Tudo passa, mesmo que nos falte um bocadinho. Um bocadinho que vamos colmatando com outros pequenos estilhaços que ficam de outras situações. Um bocadinho de nós que ardeu e que queremos esquecer, como se nada tivesse acontecido.

 

E, eis que surgem fotografias dos sítios que conhecíamos. Sim, conhecíamos, porque agora tudo parece estranho. O rali que se realizou este fim de semana, tal como em anos anteriores nalgumas estradas do concelho de Monchique, trouxe até à vista uma paisagem escura, negra, de paus colocados em fila que constituem uma teia e uma grade.

 

E, de repente, tudo vem à memória. Mas, logo surge a discussão do IVA das touradas ou dos dias de luto pela perda de animais de companhia. O ataque à Academia do Sporting, intitulado de ato terrorista, as manifestações pela subida do preço do combustível em França, as ondas no Tenerife ou as alterações climáticas.

 

Tudo nos desvia a atenção, e entramos no esquecimento do que aqui se passou.

 

Acho que o incêndio de Monchique também foi um ato terrorista. Foi o maior da Europa este ano. Foi aumentado pelo aquecimento global e alterações climáticas. Levou a população a fugir e bens a arder. Trata-se de algo que não se vai esquecer. Trata-se de uma situação que nos muda a vida, tal como o 11 de Setembro. No caso, correu-se atrás de Osama Bin Laden, fizeram-se guerras, morreram pessoas. Aqui, bastava, simplesmente, apoiar pessoas. Com uma ajuda que não implicasse mais impostos ou que cidadãos com mais de 60 anos se transformassem, de repente, em empresários de uma exploração agrícola, em projeto, composta por 3 canteiros e 10 galinhas.

 

O mundo está cheio de injustiças, de ingratidão, de medos, de lucros, de Homens com cifrões nos olhos, que não percebem que o dinheiro não se come, que o dinheiro não dá oxigénio, que o dinheiro só embeleza a vida exterior.

 

Tudo muda, tudo passa e era bom que tivéssemos aprendido alguma coisa com o que se passou em Monchique. Ou então não, e para o ano há mais. Mais um sucesso, tal como este incêndio foi caracterizado pelo Governo!

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Foto: Nelson Inácio (Todos os direitos reservados)