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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Poesia

Há poesia em cada palavra que sai da tua boca,

Há ritmo em cada olhar que a tua alma evoca.

No silêncio que envolve o espaço escuro

Noto a presença da beleza que em ti descubro.

 

Adormeço nos teus braços, Amor, que reconfortas,

Pelos sons da tua respiração que na minha alma tocas.

Deixas num caminho uma marca à tua passagem

Como quem devora da saudade uma mensagem.

 

Vives eterna na luz que em ti cintila,

Numa dor que só no poeta rejubila.

És expiração do tempo que passou

E manténs viva a alma que a vida roubou.

 

Deixaste aos loucos a tua herança,

Como se fosse para todo o sempre uma aliança.

Deixaste em Camões a beleza do Amar

E em Nobre a saudade de à Pátria regressar.

 

És loucura, entrega, paixão, vida e morte!

És vida, amor, esperança, dor e sorte!

A tua doçura cantada ao ouvido é sussurrada

Como girassol que dorme infeliz na madrugada.

 

Infortúnio do Poeta que cedeu aos teus encantos,

Pela canto de sereia que evocaste nos encontros.

Foi a beleza da tua loucura que me conquistou

E, a ti, rendi-me num Amor que  já se eternizou...

 

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Olhar da saudade

Hoje é um daqueles dias em que recordamos aqueles que nos amaram desde o princípio...

 

Relembramos os que permitiram a nossa existência e que presenciaram os primeiros passos, palavras, idas para a escola, metas alcançadas e formaturas. Recordamos quem nos limpou as lágrimas, abraçou e confortou. O «hoje» é dedicado aos nossos pais e heróis.

 

Recordamo-los com toda a amizade e graça de os ter na nossa vida...

 

E hoje a minha recordação está focada em ti!

 

Estás presente em cada instante pela voz da saudade e consciência. És amor eterno que encontro no caminho. A luz do teu olhar é a lembrança da candura e beleza do teu coração.

 

Na tua face redescubro, através de fotografias, cada marca que a vida deixou. Cada traço é uma pequena história que viveste e um registo da tua dedicação e força de vontade. E é em cada uma dessas recordações que busco o alento para dar a cada memória um sentido mais profundo.

 

És maravilha do amor que brota na simplicidade. És dedicação e alegria. Ternura e puerilidade. Inocência e bondade.

 

Recordo-te com a esperança de um dia te encontrar.

 

Sonho com a possibilidade de te abraçar.

 

Anseio pelo momento em que, no teu amor, me possa reconfortar.

 

Sei que ser herói é ser efémero e que, na incerteza da continuidade, é o tempo que me dá espaço para a recordação...

 

Há nesse som dos ponteiros que avançam uma magia, como se o pó de fada um dia pudesse abrir algum portal apenas para te abraçar num sonho transcendente.

 

A certeza de que te encontrarei é alimento da memória. 

 

Mas, por agora, apenas mergulho no verde dos teus olhos esperança que, pela saudade, me permitem recordar-te...

 

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Nota: Esta fotografia já conta com 20 anos e é uma das minhas preferidas com o meu avô, a quem dedico este texto.

 

 

A todos os pais...

Aos que amam, criam e sustentam
aos que protegem, geram e guardam
aos benfeitores, senhores e progenitores.

 

Aos que choram com o brilho do olhar
aos que criam rugas em cada provação
aos que se alegram na chegada de um abraço
aos que cuidam em cada enfermidade.
aos que amparam na desilusão.

 

A todos os que se preocupam
a todos os que receiam o futuro
a todos os que distribuem felicidade
a todos os que têm sentimento puro.

 

Àqueles que não nos geraram,
mas que nos quiseram.
Àqueles que não estão presentes fisicamente,
mas que guardamos no coração.

 

Ao pai de família, legitimo, natural e putativo.
Ao pai natal e ao pai do céu
ao meu pai
ao meu avô.

A todos aqueles que apoiam
que garantem um aconchego
que são porto de abrigo
que nos guardam com apego.

 

A todos os que amam sempre e mais além...
Feliz Dia do Pai!

 

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Ser sol

Há quem diga que temos uma missão e que nascemos com um objetivo preciso.

 

Há quem defenda que somos pequenas partes do antes, que compõem o depois.

 

O certo é que cada um tem a sua pegada e deixa a sua marca por onde circula e por quem toca. Já dizia Saint-Exupery «aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós».

 

Temos, por inerência, um pedacinho dos outros. Dos nossos pais, dos nossos professores, dos nossos amigos, dos livros que lemos, das imagens que vemos, dos ídolos com quem nos queremos comparar. Somos ímanes que atraem energias e que as emitem para outros as receberem. Sempre que faltamos fica um espaço vazio que jamais é preenchido.

 

Há quem reserve um lugar no coração dedicado a alguém, mesmo que esse alguém nunca aconteça. Há quem deixe um perfume etéreo, que aparece nos mais diversos sítios. Há quem deixe o sabor de um bolo que nunca poderá ser repetido.


Todos somos necessários para alguém. Todos somos sorrisos, lágrimas, desejos, abraços, carinhos, ódiozinhos. E todos somos responsáveis, quer por aqueles que queremos, quer pelo mundo que habitamos, e que é de todos.

 

Diz-se que quando o sol nasce, nasce para todos. Pois, é. Ilumina-nos, aquece-nos, faz-nos viver na dose certa.

 

Hoje vi o nascer do sol. A sua luz deu vida ao chão do caminho. Também nós somos sóis que dão vida e derramamos luz, mas para que continue assim, sempre na esperança de uma nova manhã, sempre com o olhar no horizonte, há que preservar quem somos, o que somos e onde vivemos.

 

Sejamos luz, sejamos caminho e preservemos o mundo que todos os dias nos é dado gratuitamente.

 

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Foto: Lúcia Costa (Todos os direitos reservados)

 

 

 

Saudar o sol

«É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada»

(Alberto Caeiro, Last Poem)

 

O dia nasce na certeza de que com ele chega uma nova oportunidade de ser feliz...

Surge, timidamente, com os primeiros raios de um dourado que ilumina a noite que se esconde de cansaço. 

São tiras de ouro que inundam o céu, que apagam as estrelas e pintam um azul de tranquilidade que cresce, sob o negro noturno, com a energia de uma nova manhã.

Há luz na beleza que surge a pouco e pouco. Saudamo-lo com um sorriso. Agarramo-lo como possibilidade de um novo mundo encontrar nesse dia que agora nasce.

Tudo depende se levantamos a mão para saudar a oportunidade ou se fechamos o coração ao raio de luz que nos ilumina.

Tudo pode mudar. A passagem do tempo é a única certeza neste alvorecer. A garantia de que há sempre uma nova oportunidade em cada pedaço de luz que nos invade.

Sejamos sol, mas apreciemos a lua. Olhemos as estrelas e não esqueçamos de contemplar os planetas. Há poesia nos elementos. Há sonho na esperança de um novo dia.

Na alvorada que me cresce diante dos olhos, absorvo a sua energia, como calor que me circula nas veias e alimenta todo o meu corpo.

Busco apenas a possibilidade de seguir um novo caminho. Com nova perspetiva. Com nova estrela que brilha e que orienta a aventura diária. 

Por isso apenas posso ser grata.

És sol que ilumina,

Sol que aquece.

Luz que acende a noite.

Calor que aconchega.

Sejamos gratos por saudá-lo.

Nunca se sabe quando o dia chega ao fim.

 

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Imagem de destaque: Reflexos do Amanhecer, de Celito Freitas de Medeiros

Essência de baunilha

A tua beleza é saborosa,

Há pureza nas tuas pétalas,

Tens uma cor que ilumina o dia

E aroma que inunda o ar.

Teu corpo é comprido

E de esperança revestido,

Envaidecido pela flor

Que dá gosto a uma nova vida.

De amarelo também és revestida,

Com um toque de suavidade,

És feminina e doce,

És essência de amor.

És gelado de baunilha

Que refresca na tarde quente,

Doçura que se sobrepõe

Ao amargo de boa gente.

 

 

Nota: Este texto é o resultado de um desafio lançado pela Lucia Costa:

escrever sobre o tema «baunilha».

 

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Manifestação das chaves que não abrem portas

Podia falar sobre portas que se abrem e fecham.


Sobre janelas que se abrem quando se fecham as portas.


De fechaduras enferrujadas que já nada as abre.


Podia falar de pessoas que abrem uma porta e que a voltam a fechar sem pré-aviso. E ela bate com força e tudo estremece um bocadinho.


Podia tentar discorrer sobre o coração e sobre os cadeados que se fecham a sete chaves e não deixam mais ninguém entrar.


Ou ficar a olhar, simplesmente, para a chave que carrego todos os dias na esperança de ir abrindo os diversos segredos que se me vão deparando.


Podia até mandar fazer uma chave suplente para que, se algo correr mal, ter uma alternativa para abrir a porta.


Mas, não.


Não tenho outro plano, nem me apetece olhar fixamente para a chave da esperança. Não tenho o segredo dos grilhões que prendem e assusto-me sempre que a porta bate. Não conheço a chave para a felicidade ou sequer sei usar uma chave de fendas quando é para desapertar um parafuso mais teimoso. Fica lá o parafuso, como se fosse a chave da abóbada que serve de pedra angular para a edificação...


Apesar de tudo, acredito que há uma chave mestra que abre o essencial, o problema é quando a perdemos e jamais a encontramos.

 

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Desafio lançado pela Alexandra de escrever sobre chaves.

 

Ser Mulher!

Ser mulher é um desafio.

É uma busca constante pela razão,

Na incerteza da conquista 

De vontades e gratidão.

É ter em si uma força que a move

Em toda a sua serenidade

Transformada pela luta

Em cada salto evolucionista.

É um estado de alerta constante,

Horas sem descanso,

Lides e obrigações,

Trabalhos e emoções.

Ser mulher é difícil.

É uma papel exigente a interpretar,

É querer num mundo um lugar

Que é árduo de alcançar.

Mulher é sinónimo de luta,

Aventura e delicadeza,

Força, inteligência e bravura.

Muito há a dizer,

Mas neste momento

Sou suspeita por ser Mulher!

 

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O crime de querer poder?

Os crimes fazem parte da vida do Homem desde o início, se tomarmos como exemplo o Caim e o Abel, mas nem por isso podem ser aceites. Nada justifica agir contra a integridade física e intelectual de alguém. Somos, à partida, seres livres, que escolhem a sua vontade e as suas atitudes.
E, como tal, somos responsáveis pelas nossas ações. Ou deveríamos ser...


Há em cada dia um sentimento de impunidade que nos é transmitido. Aqueles que mais crimes comentem, são, normalmente, aqueles que mais são perdoados. Já dizia Jesus, «aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama». Não deixa de ser um tema controverso. Não deixa de nos fazer pensar até que ponto devemos amar, e até que ponto devemos perdoar. Também o ditado «quanto mais me bates, mais eu gosto de ti» não deixa de colocar na mesma premissa o amor e a violência. 


Na minha modesta opinião, por muito populares ou religiosos que sejam os ditos, nada justifica a violência. Nada! Nada justifica o crime contra o outro. E quem o fizer deve ser advertido no grau mais digno de representação da Justiça. No entanto, não é por nada que a vendaram...


Hoje, já 11 mulheres, 1 homem e 1 criança morreram vítimas de violência doméstica. Não há como aceitar. Não há como não indignar. Não há como não questionar o que se passa na vida de cada pessoa para que se chegue a estes números nos primeiros dois meses do ano?...


No fundo, homem e mulher constituem a Humanidade, com todos os seus valores, conhecimentos, angústias e sofrimentos. São eles, como ser uno, que devem combater o crime. No seio mais particular das suas vidas. Nos momentos mais singelos de transmissão de educação. Na sua relação com os filhos, com os pais, com o seu par. Não deveria ser necessário leis a imporem e definirem a conduta da Humanidade. Deveria ser a Humanidade a tentar viver de uma forma harmoniosa o dia a dia. Para isso, teríamos de deitar por terra o dinheiro, a ambição, o desejo de poder, de grandiosidade e a violência gratuita, como instinto, como meio para ser o macho alfa. Deveria ser isso que nos diferencia dos outros seres vivos. Afinal, somos seres racionais. Ou não?

 

No entanto, quando tudo falha utilizemos a racionalidade para se aplicar e fazer novas leis, para se proteger e castigar. A dignidade de ser pessoa não espera!  

 

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