Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

O crime de querer poder?

Os crimes fazem parte da vida do Homem desde o início, se tomarmos como exemplo o Caim e o Abel, mas nem por isso podem ser aceites. Nada justifica agir contra a integridade física e intelectual de alguém. Somos, à partida, seres livres, que escolhem a sua vontade e as suas atitudes.
E, como tal, somos responsáveis pelas nossas ações. Ou deveríamos ser...


Há em cada dia um sentimento de impunidade que nos é transmitido. Aqueles que mais crimes comentem, são, normalmente, aqueles que mais são perdoados. Já dizia Jesus, «aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama». Não deixa de ser um tema controverso. Não deixa de nos fazer pensar até que ponto devemos amar, e até que ponto devemos perdoar. Também o ditado «quanto mais me bates, mais eu gosto de ti» não deixa de colocar na mesma premissa o amor e a violência. 


Na minha modesta opinião, por muito populares ou religiosos que sejam os ditos, nada justifica a violência. Nada! Nada justifica o crime contra o outro. E quem o fizer deve ser advertido no grau mais digno de representação da Justiça. No entanto, não é por nada que a vendaram...


Hoje, já 11 mulheres, 1 homem e 1 criança morreram vítimas de violência doméstica. Não há como aceitar. Não há como não indignar. Não há como não questionar o que se passa na vida de cada pessoa para que se chegue a estes números nos primeiros dois meses do ano?...


No fundo, homem e mulher constituem a Humanidade, com todos os seus valores, conhecimentos, angústias e sofrimentos. São eles, como ser uno, que devem combater o crime. No seio mais particular das suas vidas. Nos momentos mais singelos de transmissão de educação. Na sua relação com os filhos, com os pais, com o seu par. Não deveria ser necessário leis a imporem e definirem a conduta da Humanidade. Deveria ser a Humanidade a tentar viver de uma forma harmoniosa o dia a dia. Para isso, teríamos de deitar por terra o dinheiro, a ambição, o desejo de poder, de grandiosidade e a violência gratuita, como instinto, como meio para ser o macho alfa. Deveria ser isso que nos diferencia dos outros seres vivos. Afinal, somos seres racionais. Ou não?

 

No entanto, quando tudo falha utilizemos a racionalidade para se aplicar e fazer novas leis, para se proteger e castigar. A dignidade de ser pessoa não espera!  

 

crime.jpg

 

Orgulho, dignidade e violência

O orgulho e dignidade são dois sentimentos que não se desvinculam quando o tema é a violência. São perigosos, dolorosos e até fatais.

 

Uma das ideias associadas à prática de atos violentos, é a de que esta tem por base a pancada e que deixa marcas físicas. Trata-se daquela bofetada dada por ciúmes, do apertar o braço para prender o parceiro ou a parceira. Estes sinais não são de proteção. São antes pequenos passos para o desenvolvimento de uma obsessão perturbadora e que permitem o enraizamento da ideia de que essa pessoa é nossa propriedade. Isto é perigoso!

 

Mas o que vem depois é ainda mais danoso e chega com um sinal de alerta vermelho em letras garrafais: o beijo das desculpas com a promessa de que aquilo «não vai voltar a acontecer», pelo menos até à próxima manifestação de ciúmes e par de estalos.

 

A violência vai para além destas mossas físicas. Há as palavras duras que se dizem para ferir, há os gritos que acanham e que levam a  pessoa a curvar o pescoço, devido ao medo, quase como se fizesse uma vénia a quem a maltrata. São nomes pouco dignificantes, horríveis, destruidores da personalidade e que consomem anos de vida que se tornam em atos de violência. Isto deixa marcas internas. São hemorragias que não se veem e que vão alastrando pelo corpo, até que este cede e o indesejável acontece. 

 

Infelizmente, por mais que se consciencialize para esta temática, as práticas de violência estão tão presentes na nossa sociedade que se torna assustador o quão fácil é encontrar casos que são simplesmente desconsiderados e postos de parte como algo «normal».

 

E atenção, não há nada de normal em crianças e jovens à pancada e filmarem esses atos para publicar em redes sociais. Não há nada de normal nesses vídeos que são partilhados por outros milhares a incentivarem a violência. A violência não é, nem pode ser, normal! E é errado pensar o contrário.

 

Assim como não pode ser normal um tímpano perfurado ao soco, uma bofetada que abre o lábio ou uma pancada de tal forma feroz que é capaz de imobilizar uma pessoa. Contabilizar casos de violência não é o mesmo que solucioná-los. Para isso é preciso ação e pôr de parte a apatia e ditado popular «entre marido e mulher não se mete a colher». Isso pertence a um passado em que o silêncio ditava as sentenças.

 

É preciso haver legislação séria para que a violência seja erradicada. É preciso punir estes atos que ferem a dignifidade, que destróiem a pessoa e que se tornam fatais.

 

O orgulho e a dignidade são afetadas por esta prática e quando vivemos numa sociedade em que este tema é tratado pelas altas entidades com leveza e algum descrédito, é porque enquanto seres humanos perdemos toda a dignidade...

 

violencia-1.jpg