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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Ser sol

Há quem diga que temos uma missão e que nascemos com um objetivo preciso.

 

Há quem defenda que somos pequenas partes do antes, que compõem o depois.

 

O certo é que cada um tem a sua pegada e deixa a sua marca por onde circula e por quem toca. Já dizia Saint-Exupery «aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós».

 

Temos, por inerência, um pedacinho dos outros. Dos nossos pais, dos nossos professores, dos nossos amigos, dos livros que lemos, das imagens que vemos, dos ídolos com quem nos queremos comparar. Somos ímanes que atraem energias e que as emitem para outros as receberem. Sempre que faltamos fica um espaço vazio que jamais é preenchido.

 

Há quem reserve um lugar no coração dedicado a alguém, mesmo que esse alguém nunca aconteça. Há quem deixe um perfume etéreo, que aparece nos mais diversos sítios. Há quem deixe o sabor de um bolo que nunca poderá ser repetido.


Todos somos necessários para alguém. Todos somos sorrisos, lágrimas, desejos, abraços, carinhos, ódiozinhos. E todos somos responsáveis, quer por aqueles que queremos, quer pelo mundo que habitamos, e que é de todos.

 

Diz-se que quando o sol nasce, nasce para todos. Pois, é. Ilumina-nos, aquece-nos, faz-nos viver na dose certa.

 

Hoje vi o nascer do sol. A sua luz deu vida ao chão do caminho. Também nós somos sóis que dão vida e derramamos luz, mas para que continue assim, sempre na esperança de uma nova manhã, sempre com o olhar no horizonte, há que preservar quem somos, o que somos e onde vivemos.

 

Sejamos luz, sejamos caminho e preservemos o mundo que todos os dias nos é dado gratuitamente.

 

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Foto: Lúcia Costa (Todos os direitos reservados)

 

 

 

Saudar o sol

«É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada»

(Alberto Caeiro, Last Poem)

 

O dia nasce na certeza de que com ele chega uma nova oportunidade de ser feliz...

Surge, timidamente, com os primeiros raios de um dourado que ilumina a noite que se esconde de cansaço. 

São tiras de ouro que inundam o céu, que apagam as estrelas e pintam um azul de tranquilidade que cresce, sob o negro noturno, com a energia de uma nova manhã.

Há luz na beleza que surge a pouco e pouco. Saudamo-lo com um sorriso. Agarramo-lo como possibilidade de um novo mundo encontrar nesse dia que agora nasce.

Tudo depende se levantamos a mão para saudar a oportunidade ou se fechamos o coração ao raio de luz que nos ilumina.

Tudo pode mudar. A passagem do tempo é a única certeza neste alvorecer. A garantia de que há sempre uma nova oportunidade em cada pedaço de luz que nos invade.

Sejamos sol, mas apreciemos a lua. Olhemos as estrelas e não esqueçamos de contemplar os planetas. Há poesia nos elementos. Há sonho na esperança de um novo dia.

Na alvorada que me cresce diante dos olhos, absorvo a sua energia, como calor que me circula nas veias e alimenta todo o meu corpo.

Busco apenas a possibilidade de seguir um novo caminho. Com nova perspetiva. Com nova estrela que brilha e que orienta a aventura diária. 

Por isso apenas posso ser grata.

És sol que ilumina,

Sol que aquece.

Luz que acende a noite.

Calor que aconchega.

Sejamos gratos por saudá-lo.

Nunca se sabe quando o dia chega ao fim.

 

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Imagem de destaque: Reflexos do Amanhecer, de Celito Freitas de Medeiros