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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

A morte fica-nos tão bem

A morte. Tão linda e airosa. Maravilhoso enigma que nos comanda a vida. Geralmente lembramo-nos dela vagamente, lá muito longe. Em dia e hora que não podemos precisar. Em momento esquecido. Em instante transitório.

No fundo, não passamos de matéria, de pequenos grãos que se unificam e que morrem a todo o instante para dar vida a outras microscópicas cavidades.

Morremos a cada momento, assim como matamos a cada momento. Morremos em termos biológicos, matamos nas emoções e atitudes e suicidamo-nos constantemente na crítica pessoal e no nosso eu mais escuro.

A morte é uma senhora. Que vence a adversidade, a chuva intensa debaixo da trovoada para nos conduzir à luz.
A morte é a nossa segunda oportunidade de sermos felizes, porque, na primeira, a responsabilidade é nossa. Independentemente da crença que temos, da religião que seguimos ou do ceticismo que desenvolvemos, a morte traz sempre uma segunda oportunidade, quer seja a ressurreição, a reencarnação ou o simples descanso de todas as trapalhadas, vícios, incoerências, lutas, guerras e alegrias, que travamos enquanto, conscientemente, vivemos.

A morte é o desconhecido e, por isso, é tão difícil falar dela. Ninguém fala do que não sabe, do que não viu, do que não leu, do que não viveu. O que nos assusta nem é a morte em si, é o momento em que passamos do consciente para o eterno estado do nada ou do tudo. O que nos assusta é a dor, portanto quando alguém morre nós choramos os momentos que vivemos com aquela pessoa e que perdemos. Choramos a egoísta solidão que sentimos.

Somos seres de ego, de superego e a morte é o nosso alter ego. Aquele que não conhecemos, e que temos medo de encontrar o rosto.

Morremos, é certo, todos os dias. Mas a vida é isso, podermos regenerar o pó que somos e transformá-lo em plenitude, em matéria, em existência, em movimento e em ação.

Ontem terminei o texto do Tempo falando do amanhã. Hoje termino o texto da Morte falando do hoje, do instante que temos de aproveitar, de viver plenamente, até que aquela senhora elegante e bela nos leve, pela mão, para a nossa segunda oportunidade de viver o amor.

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