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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Aquele tempo em saltava à corda e jogava à macaca

Pensar no verão traz-me logo à memória aqueles 3 meses de férias de criança, em que as aulas acabam, os dias são mais longos para brincar e as ruas são nossas até nos cansarmos.

 

Faz-me recuar e pensar nas manhãs em que acordava cedo para brincar o mais possível e passar o dia fora de casa. Entre jogar ao «polícia e ladrão», que desenhavamos nas estradas com pedras de cal o esquema para o jogo, saltar à corda ou simplesmente brincar à apanhada e às escondidas, vem-me à memória uma infância feliz e bem vivida.

 

Os passeios de bicicleta que faziamos pelas descidas e subidas nas estradas da zona industrial, apenas «porque passavam poucos carros» e podíamos estar à vontade para alcançar a máxima velocidade sobre duas rodas, fazem-me sorrir, porque sei que foram momentos felizes.

 

Aquelas alturas em que estavamos a brincar e lembravamos-nos de ir apanhar amêndoas e partir as cascas com pedras que encontravamos no caminho ou quando corriamos pelas ruas a pé descalço para que os chinelos de enfiar no dedo não nos atrapalhassem, eram alturas em que realmente podíamos ser crianças.

 

Subiamos às árvores para apanhar as melhores nêsperas, que limpavamos na camisola e comíamos ali mesmo, à beira da árvore. E que saborosas que elas eram!

 

Não havia horário para chegar a casa. Apenas sabiamos que era de jantar quando o sol se começava a pôr no horizonte ou as nossas mães gritavam pela janela os nossos nomes. Depois? Depois íamos brincar para a rua, nas noites quentes e deliciosas, enquanto as nossas mães ficavam de conversa, sentadas nos bancos, a saborear os seus gelados.

 

Corríamos a pé descalso, gritávamos e gargalhávamos de seguida. Entre jogos de escondidinhas e saltinhos da «macaca», éramos crianças felizes, como agora poucas se veem aos pulinhos nas cidades.

 

Não foi assim há tanto tempo. Pouco mais de 12 anos se passaram desde estas brincadeiras e meses de verão. Aquele tempo em que passávamos realmente os dias nas ruas e éramos felizes apenas com uma corda e pedra de cal. Sim,  porque o objetivo era ter a maior pedra de cal para desenhar no alcatrão da estrada o jogo da «cirumba» ou do «38».

 

Sinto saudades desses 3 meses de verão...

Sinto alegria quando recordo esses momentos...

Fizeram parte de uma infância feliz e de brincadeiras que hoje pouco encontramos.

 

Não há nada mehor do passar os dias de verão, entre brincadeiras com os amigos, ir a casa buscar um pedaço de pão e ir brincar de novo para as ruas. Correr a pé descalço, andar de bicicleta, apanhar nêsperas das árvores, vêr o sol pôr-se no horizonte e pensar que o dia ainda não chegou ao fim. Muito há para acontecer, muito há para brincar.

 

No fundo, para nós, a noite era sempre uma criança. Uma criança feliz entre escondidinhas e saltinhos da macaca.

 

jogo da macaca.jpg