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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mundo ao Contrário - Azul petróleo

Passo de helicóptero. 

Os meus dedos estão cheios de anéis de ouro, diamantes e platina. 

Lá em baixo, o negro. 

Há duas semanas que um petroleiro que abastecia ao largo de Aljezur embateu nas rochas e o derrame começou.

Estamos em 2031 e o nível do mar está a subir, como se previa.

As praias tal como as conheci, e gostava de ir passear nelas no inverno, não existem. As falésias abraçam o mar. E a fauna e a flora findaram. 

Ao longe, plataformas petrolíferas foram plantadas como árvores em florestas. 

Ninguém vem de férias para cá.

Os rendimentos dos habitantes aumentaram. Agora não nos preocupa o dinheiro, mas a saúde dos nossos filhos.

Falta-nos a alegria de ver um horizonte longínquo, azul, tão azul que nos apetecia mergulhar.

Ou uma água límpida, tão límpida, que só sabíamos que nos cobria os pés, porque era gelada. 

Ou uma estrela do mar amarela, enorme, que caminhava, lentamente, na rocha preta da Amoreira... 

Tudo isto era possível há 15 anos. Tudo isto acabou. Tudo isto os meus netos não conhecem. 

Um dia este mar, plantado de plataformas, foi azul, azul petróleo, lindo, único, mágico. 

Agora, é negro noite, negro tristeza, negro morte. 

 

 

Nota: A rubrica «Mundo ao contrário» trata perspetivas futuristas de acontecimentos atuais.São puros momentos de ficção. Espero, que neste caso, só isso!

 

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