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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Na tua terra faz o mesmo tempo que na minha?

Vivo mais próximo do céu que a maioria das pessoas. O que, à partida, será sempre uma mais-valia, dado que o grande objetivo também, da maioria das pessoas, é chegar até lá. Eu, que por cá estou há mais de três décadas a única diferença que vejo, ou que não vejo, devido às muitas ocasiões que o nevoeiro me bate à porta, é nula.


A minha serra é composta por um chapéu de nuvens que só saem, às vezes, nos dias de verão e, como o verão deve estar retido nalguma greve de transportes, ou na EN125 devido aos buracos... Por aqui, nem vê-lo. Nem sequer se imagina a proximidade da sua vinda. Será do nevoeiro? Será da chuva molha-parvos (e outros também) que passeiam na rua sem guarda-chuva, porque fica mal andar em junho com um aberto? Não sei... O que sei é que já estou um bocadinho aborrecida da chuva, do frio e do nevoeiro.


Inverno à parte, o que mais me irrita são frases como «então na tua terra faz sempre frio?» ou «porque é que não me avisaste que o tempo estava assim!» ou «na minha terra parecia verão e aqui está assim». Pois é... Eu não tenho culpa do tempo que faz na minha santa terrinha. E não tenho o contacto direto do São Pedro, e mesmo que o tivesse e ligasse para lá, provavelmente deixavam-me em espera a ouvir um Avé Maria qualquer entoado por anjos.


Por acaso, apesar de viver mais perto do céu que a maioria das pessoas, nunca ouvi o cantar dos anjos. Devo precisar, provavelmente, de algum aparelho auditivo para ampliar a minha audição, porque os anos vão passando e as faculdades vão-se perdendo. Certo?


O tempo, que voa e corre e que ainda ninguém consegue mandar, influencia-nos a cada segundo, pelo menos a mim. Por exemplo, quando me levanto com um dia de sol, prevejo imediatamente que, à partida, vai correr bem. Mas assim, segundo este raciocínio, no verão não haveria dias maus, mas há, e alguns bem tempestuosos. Logo, volto com a minha palavra atrás e digo que o tempo é um pretexto para tudo. Se não arrumei a casa, é porque não tive tempo; se cheguei atrasada, é porque não tive tempo; se só comi uma sandes de manteiga, é porque não tive tempo... se acaba a gasolina a 20 metros da bomba, é porque não tive tempo; se fui às compras e só comprei umas meias, é porque não tive tempo para experimentar meia dúzia de vestidos...


Enfim... o tempo existe, não o vemos, não o sentimos, mas ele age em nós sem darmos conta. A pessoa que somos aos 20 anos, modifica-se, e quando chegamos aos 30 já estamos diferentes, nem imagino quando chegar aos 40... Tudo muda e o tempo é, mais uma vez, o culpado. O tempo que não para. Que nos arrasta. Que nos aprisiona. Que nos compromete.


No fundo, espero que este texto não seja uma enorme perda de tempo, porque eu, ao escrevê-lo, quase parei a meio, por falta de tempo...

 

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