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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

12.03.24

Nunca vou sentir vergonha de ser do Algarve, mas…


Lúcia Costa

Nunca vou sentir vergonha de ser do Algarve, mas o dia de hoje, depois de ontem, é difícil de esquecer, principalmente no ano dos 50 anos do 25 de Abril.

Se hoje,  no dia depois das eleições, acordei com uma sensação estranha? Sim. Se estou tranquila? De forma alguma. Acabou por se concretizar o que previa.

Acredito que o CHEGA ter ficado em primeiro lugar nalguns concelhos algarvios, não me parece que tenha sido ignorância. Os algarvios não são ignorantes e quando decidem fazer algo é com algum propósito. Considero que foi um grito de desespero, porque as medidas de governação não chegaram a este resort que tem valor no verão e que, no resto do ano, é deserto. Mas... não é.

No resto do ano vivem cá cerca de meio milhão de pessoas que se esforçam, pagam impostos, e que têm de se alimentar e deveriam ter as mesmas condições de todos os outros cidadãos portugueses. Sim, nós não temos uma ferrovia eletrificada a funcionar; não temos transportes públicos que assegurem deslocações atempadas e rápidas; não temos metro, nem estradas rápidas e gratuitas. A Via do Infante é uma mais-valia e a única solução de deslocação em tempo útil, mas está pobre, esburacada, precisa de aconchego e mesmo assim temos de pagar todos os dias para passar nela porque não há alternativa. A EN125 (azul, como diz o Trovante) não é solução para nos deslocarmos para estudar ou trabalhar. Não temos hospitais como os da capital e as escolas estão gastas e “cansadas” de tentar levar o país para a frente, sem os devidos recursos. No fundo, o PIB gerado aqui é para ser investido noutros locais. E ainda temos seca e concelhos de interior. Aqui, nem tudo é perto do mar, nem tudo é praia, não nos esqueçamos do barrocal e da serra, e nem tudo é retirado do rendimento do turismo. Contudo, temos uma paisagem que é linda, o sol é magnifico, as praias são maravilhosas e as pessoas espetaculares. Quem comanda a saúde ou a educação nesta região tem todo o mérito do mundo. Somos resilientes, lutadores e orgulhosamente algarvios. Vendo bem e com um pouco de cuidado, o Algarve é Portugal deitado em miniatura, só que nalguns partidos, nestas eleições, nem teve o direito a ter um candidato de cá, que conheça, na pele, os problemas e as conquistas dos algarvios.

Não somos uma região de segunda, nem composta por ignorantes e analfabetos. Somos uma região que precisa de atenção, mas não da atenção na qual a maioria dos algarvios votou. Precisamos que nos considerem Portugal. É certo que o Algarve sempre foi um reino à parte, mas se o Marquês de Pombal pretendeu nos integrar no território nacional no século XVIII, o território parece que continua a não considerar o Algarve como região sua integrante. Que se dê importância ao Bem-comum. Que se encontre respostas concretas. Que se pense no individual e no todo. A demagogia e o populismo fazem com que não avancemos e levaram-nos ao dia de hoje.

Nesta campanha ninguém falou de medidas concretas e simples que beneficiem as populações ou que sejam realistas no terreno, não se falou de regionalização, nem de cultura. Não se falou num âmbito mais internacional, dos conflitos mundiais, em Trump ou Biden, nem da corrida ao armamento e dos 2% do orçamento do Estado que deve ser dedicado a isso. E, para terminar, pouco se falou nas economias europeias que estão a entrar em recessão.

Estas eleições e esta campanha eleitoral foram uma idiotice. Como dizia uma publicação que vi nas redes sociais "a cigarra para se vingar da formiga votou no inseticida".

Quem ganhou as eleições não foi a Aliança Democrática e quem perdeu não foi o Partido Socialista. Só houve um vencido, que foi Portugal. Um país cansado de esperar, que vai ficar mais um ano sem avançar, sem melhorar a sua situação e à espera de um futuro digno.

Mas, isto sou eu que não percebo nada de  política, sou algarvia e devia estar caladinha, no entanto como diz o poema que uma mulher, que muito admiro, me deu no Dia Internacional da Mulher "caladinha, não ficas mais bonita" e eu acrescento, nem mais feliz.

 

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(imagem gerada por inteligência artificial)

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