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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

O ataque dos titãs poderá estar próximo?

Vivo num sítio verde-esperança, verde-esmeralda, verde-mar no horizonte.

 

Um verde que nos maravilha o olhar, que nos retém a respiração, que nos envolve no seu manto. Tão lindo, tão natural e, ao mesmo tempo, tão frágil.


Viver rodeada deste verde-verão traz todos os dias uma inquietude, um desespero, um medo, uma sensação de perigo constante.


Cada vez que ouvimos uma sirene ou o latido agastado das pás do helicóptero ficamos paralisados. Petrificados. Entramos num estado de alerta eminente.


Nada que se consiga controlar, nada que se consiga descrever, nada que se consiga fazer.


Há um perigo que espreita a cada segundo, seja por maldade, dinheiro ou descuido. O medo de que este verde-esperança se transforme em negro-noite, negro-triste, negro-morte, acompanha cada ser que habita neste sítio encantado.


Ninguém consegue esquecer a falta de sol, o cheiro a queimado, a morte, a chuva das folhas de eucalipto a caírem ardendo no centro da vila.


Ninguém consegue esquecer a imagem de um grupo de bombeiros com a mangueira ligada em leque para que o fogo não os devore.


Ninguém consegue esquecer a encosta sul em modo incandescente, transformada num monstro que alastra, engole e devora tudo o que lhe aparece pela frente.


E, no entanto, tudo tão negligente.


E, no entanto, tudo tão inerte.


Fala-se da limpeza das bermas das estradas. Fala-se das faixas de contenção. Fala-se dos sobrantes da madeira que ficam no terreno. Fala-se, diz-se e noticia-se. Apenas isso.


Este fim de semana fiz uma viagem por estradas nacionais no sentido norte-sul e foi raro ver uma berma de estrada limpa. As entidades com mais recursos são, também, as que mais falham neste aspeto. Talvez por não terem sentido na pele o que é o fogo. O que é o desespero. O que é não conseguir respirar ou ver o sol, porque o fumo filtra a luz e o ar.


Há que tomar consciência. Há que agir. Defender as pessoas. Defender a vida! Não é com demissões ou com cenários encenados para a comunicação social que se vai conseguir evitar a repetição da criação deste ataque de titãs. Não é com negociatas de milhões que se vai fazer o pleno, principalmente quando falha o que é mais simples.


No final, o que resta são homens e mulheres que enfrentam, corajosamente, um monstro criado por outros. Homens e mulheres, com os olhos marejados em lágrimas, que são pequenos grandes deuses que lutam para que a ordem seja restabelecida.


Vivo num sítio verde-esperança, verde-esmeralda, verde-mar e tenho medo que se transforme em negro-cinza...

 

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