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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

O caminho já não é o mesmo...

Os últimos meses têm sido uma verdadeira descoberta. Trouxeram até mim a oportunidade de percorrer caminhos que desconhecia na busca de novos conhecimentos e oportunidades.

 

Percorri atalhos que nunca pensei pisar, construí laços de amizade que apenas podem ser reais quando nos aventuramos em novas experiências. Escrevi textos numa comunhão de sentimentos e vivências. Descobri um quadro serrano que até então não passava de uma obra de arte distante de mim. 

 

Esta obra de arte de uma natureza que se compõe a si mesma, como se da imagem de um quadro pintado pela mão de Deus se tratasse, estava carregada da beleza de esmeraldas plantadas num solo que crescia em direção ao céu.

 

Foi um tesouro que tornou as minhas manhãs mais ricas, por entre as ramagens que faziam de teto ao caminho que percorria todos os dias em direção ao trabalho. Olhava e apreciava a beleza das manhãs. Era um verde esperança que me dava sempre a oportunidade de respirar um ar puro carregado de energias, de boa disposição, de natureza, de bem-estar.

 

Hoje faço esse caminho, mas já não é o mesmo...

A obra de arte foi desfeita, como se de uma censura artística se tratasse. A obra foi queimada. As ramagens desapareceram e o verde esperança foi consumido, sem tréguas, pelo fogo destruídor que deixou apenas as imagens daquela paisagem florestal.

 

Faço esse caminho, mas já não é mesmo...

 

Percorro as mesmas estradas e à minha volta tudo é triste. O negro tomou lugar, o cinzento transformou a esmeralda em cinzas que se desfazem com o vento. No solo apenas se mantêm as cepas de árvores queimadas e, de quando em vez, podemos ver fumos de um pedaço de inferno que teima em marcar presença.

 

O caminho não é mesmo. 

A floresta foi roubada e percorrer esses trilhos trazem mágoa e tristeza a quem adotou a bela serra como segunda casa e que já não existe.

 

Hoje, apenas ficam essas imagens cravadas nas fotografias das descobertas pelos trilhos nunca antes percorridos.

Hoje, ficam apenas as memórias daquele verde que crescia em direção ao céu.

Hoje, fica apenas o retrato de uma serra cuja beleza se retrata nas palavras e fotografias de outros tempos.

 

Nada disto é presente. Nada disto existe no agora.

O caminho já não é o mesmo, mas as descobertas continuam...

 

mantinha.jpg

 @Foto de Alexandra Delgado

(c)Todos os direitos reservados

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