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Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Mantinha do Ego

Pequenos retalhos que cobrem o alvorecer de dois quotidianos...

Saudar o sol

«É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada»

(Alberto Caeiro, Last Poem)

 

O dia nasce na certeza de que com ele chega uma nova oportunidade de ser feliz...

Surge, timidamente, com os primeiros raios de um dourado que ilumina a noite que se esconde de cansaço. 

São tiras de ouro que inundam o céu, que apagam as estrelas e pintam um azul de tranquilidade que cresce, sob o negro noturno, com a energia de uma nova manhã.

Há luz na beleza que surge a pouco e pouco. Saudamo-lo com um sorriso. Agarramo-lo como possibilidade de um novo mundo encontrar nesse dia que agora nasce.

Tudo depende se levantamos a mão para saudar a oportunidade ou se fechamos o coração ao raio de luz que nos ilumina.

Tudo pode mudar. A passagem do tempo é a única certeza neste alvorecer. A garantia de que há sempre uma nova oportunidade em cada pedaço de luz que nos invade.

Sejamos sol, mas apreciemos a lua. Olhemos as estrelas e não esqueçamos de contemplar os planetas. Há poesia nos elementos. Há sonho na esperança de um novo dia.

Na alvorada que me cresce diante dos olhos, absorvo a sua energia, como calor que me circula nas veias e alimenta todo o meu corpo.

Busco apenas a possibilidade de seguir um novo caminho. Com nova perspetiva. Com nova estrela que brilha e que orienta a aventura diária. 

Por isso apenas posso ser grata.

És sol que ilumina,

Sol que aquece.

Luz que acende a noite.

Calor que aconchega.

Sejamos gratos por saudá-lo.

Nunca se sabe quando o dia chega ao fim.

 

sol.jpg

Imagem de destaque: Reflexos do Amanhecer, de Celito Freitas de Medeiros